Serei eu somente mais uma laranja mecânica?

Serei eu somente mais uma laranja mecânica?
"Só, na verdade, quem pensa certo, mesmo que, às vezes pense errado, é quem pode ensinar a pensar certo. E uma das condições necessárias pra se pensar certo, é não estarmos demasiado certos de nossas certezas."
-Paulo Freire-

quarta-feira, 22 de março de 2017

Medo

O que eu queria de verdade?
Dar um stop
Não resolver nada em um ano
Não andar igual paulistano
Na paulista em horário de pico.

Queria ouvir o silêncio
Com todas suas nuâncias
Não estressar por esperar o ônibus
Nem ficar puto de andar na chuva.

Imagina se num domingo
Depois de um ano
Eu calçasse meus sapatos
E andasse pela paulista?

Meu medo é de estar tudo igual
Mas vai ficar tudo bem...

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Uma poesia e um pão de queijo

Essa poesia tem cinco minutos
Tempo de um expresso
Aqui vai a receita:
Uma grama de pó de poesia
Coloque alguns “eme-eles” de sentimentos no fogo
Um pouco de tristeza e uma pitada de arrependimento
Em menos de um minuto já pode misturar
O pó se dissolve ao sentimento líquido e surge o aroma
Esta poesia é pressa, expressa
Guardada num pote no armário
Etiquetada como “Eu”.


segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Educa-ação

(Homenagem a todos que acreditam na educação como forma de transformação)

Hey você Presta atenção Na cultura do povo E segura a pressão
O funk e o rap São periferia Assim como o blues e o jazz Ja foram um dia
Nao manjo de flow Sou do tipo escritor É que alguem me falou Que o ingrediente secreto da arte é o amor
Disseram pra mim na reformulação Que a mente e o corpo Assim como a expressão Iriam cair na na nossa gestão
Gritei e grito ainda que NÃO! É direito humano a educaçao Ocuparam as escolas Vieram de cassetete na mão
Um pouco de pimenta pra esquentar o refrao Pinho sol na mochila sou a revolução Professores grevistas, secundaristas reivindicação Taxado de petista, vagabundo e ladrão No meu inquérito tenho a convicção Que um dia ostentaremos de livros na mao.

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Ainda

Era um dia daqueles cinzas
O café esfriava na caneca
Aonde foram os pássaros?
Se esconderam da chuva
Ainda escuto o canto
Soa distante e fraco
Mas soa.

Esperança é um caco
Cá pra nós, já vi menores
Mas como os passarinhos
Ela ainda está lá
E soa.

Café frio, caco de esperança
Martelo o ego
Desacato a(o) autor-idade
Pretensiosa neutralidade
Ainda vôo como os pássaros
Canto só

Mas sou.

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Parlenda

Cade seu sexo que estava aqui?
Colado com o meu
Cade o tato?
Arranca o sapato
Cade nosso trato?
Me transborda amor
E cade o fogo?
Não há água que apague
Não há boi que beba
Nem parlenda que encaixe
Como o seu sexo no meu.